Saturday, 2 June 2012

Para meus amigos que falam português.
Vou fazer um breve resumo dos últimos posts sobre o Eli e os próximos terão uma versão em inglês e Português.
Este resumo vai ser meio longo só pra vocês acompanharem a história toda...por favor, tenham paciência pra ler.
As coisas começaram assim:
Os médicos sempre disseram que eu não podia ter filhos, então um dia eu estava me preparando para fazer um exame doloroso pra checar se minhas trompas estavam abertas para ver a possibilidade de iniciar um tratamento para ter filhos.
Uma semana antes do exame eu fui a um evento de oração em uma igreja antiga aqui na irlanda e uma de nossas amigas pediu para que pessoas que quisessem ser curadas fossem à frente para receber oração.
Eu lembro que eu falei que se Deus quisesse me curar e me dar filhos ele deveria trazer alguém para  orar por mim, pois eu não iria.
Primeiro eu tive a certeza que Deus me deu uma bronca e a segunda coisa que eu tive certeza era que eu não precisaria fazer o exame...
Na semana seguinte era meu aniversário de casamento e também meu aniversário e aniversário de meu marido (nós dois nascemos no dia 02 de agosto e nos casamos na mesma data.) e meu marido me levou para conhecer outras cidades na República da Irlanda. Um dos passeios que ele planejou era atravessar de barco para uma Ilha e explorar o local de bicicleta. Como eu passo muiiiiiito mal em barco o médico me receitou uma medicação na qual eu poderia tomar somente se eu tivesse certeza que não estava gravida.
Ruinas de uma igreja em nosso passeio de aniversário
Meu marido subindo a montanha com nossas bikes...não aguentei a pedalada.
Apesar de estar tomando precaução para não engravidar por causa do exame que eu faria em 3 dias, eu decidi fazer o teste mesmo assim, então, no dia do nossos aniversários e aniversário de casamento eu coloquei um teste de gravidez mijado num envelope e dei de presente para meu marido com o resultado positivo.
Tempestade de neve se formando no caminho de volta pra casa

Infelizmente nós perdemos o nosso primeiro bebê 9 semanas depois, mas em seguida eu engravidei novamente e depois de 6 semanas de muito enjoô eu curti minha gravidez saudável.
Nosso bebê levou 23 horas para nascer, num parto entediante na qual a dilatação de 4 cm demorou anos para ocorrer e no final acabamos com uma cesária de emergência porque  o bebê ficou preso e o coraçãozinho começou a desacelerar.
Amigos celebrando o nascimento do Eli

Primeira foto com a vovó Dirce

primeira foto...mamando.

Nosso Eli nasceu e logo passou para o colo do papai porque a mamãe estava tendo chiliques e febre alta...depois de ter passado horas tentando regular minha temperatura e pressão baixa eu tentei descansar, mas Eli passou a noite vomitando o muco que normalmente eles expelem depois do nascimento.
Depois de 23 horas de parto e uma noite toda tentando ajudar um bebê que não parava de vomitar eu estava extremamente cansada e preocupada. Eu já havia pedido ajuda para as enfermeiras diversas vezes e a única coisa que elas respondiam era que o bebê estava bem e eu estava ficando neurótica.
Nossa primeira foto em família.
Eu notei não só que o bebê não estava mamando, mas também não urinava, não fazia cocô e o peito estava elevado e esverdeado. Mais ou menos 9 da manhã eu recebi a visita de uma amiga enfermeira que trabalhava numa outra ala do hospital e mostrei uma fronha com o liquido esverdeado que o bebê estava vomitando. Esta amiga chamou a enfermeira responsável por aquela manhã e pediu que um pediatra viesse examinar o bebê.
O liquido que o bebê estava vomitando era o liquido da Biles  e depois de examina-lo e fazer um raio~x eles detectaram que o bebê tinha um bloqueio no intestino e que talvez necessitasse passar por uma operação.
O Eli teve que ser tranferido para o hospital infantil de Belfast onde havia uma área especializada neste problema e outros problemas digestivos, eu fui transferida para outra maternidade próxima, mas não no mesmo prédio.
O primeiro dia na nova maternidade foi difícil até o momento em que as enfermeiras me transferiram para um quarto aparte, assim meu contato com outros bebês não faria a situação mais difícil emocionalmente.
No segundo dia eu já havia esquecido o rosto do meu bebê e não me lembrava de seus traços ou do seu choro. Eu estava com um corte dolorido na barriga e não podia me movimentar muito, meus seios estavam explodindo tentando produzir leite, mas sem ninguém pra ajudar a começar a produção...ao mesmo tempo meu corpo começou a reagir a uma das medicações e eu ainda não havia percebido ...eu estava febril, com diarréia e uma bola enorme num dos meus seios.
meu marido tentando me fazer rir

minha primeira visita ao bebê...ele conseguiu me fazer rir

recebendo um carinho do papai

Mais tarde, naquele dia, meu esposo trouxe uma cadeira de rodas e me levou para visitar meu filho no hospital infantil. Eu mal coloquei o pé na ala e entre as 6 incubadoras eu consegui identificar meu filhote em segundos. Ele estava agitado e com tubos conectados no nariz e no pênis para ajuda-lo a urinar. Ele havia feito uma biopsia no intestino na qual estavamos esperando o resultado e não comia a dois dias, só tinha um soro para mante-lo hidratado. Duas vezes por dia as enfermeiras faziam uma lavagem no intestino inserindo um tubo no reto e aplicando uma solução com uma seringa.
Um bebezinho muito doente antes de ser operado.
Eu pude segurar o bebê por alguns minutos e não foi uma tarefa fácil contando o número de coisas que estavam conectadas a ele e pra ajudar na dificuldade eu cheirava a leite e depois de dois dias sem comer o bichinho estava com fome. O cirurgião escolhido para cuidar do caso dele é um excelente médico chamado  Isaac Philips. Ele veio nos ver naquela tarde e  nos disse que o bebê foi diagnosticado com uma doença congenita chamada MEGACOLON CONGENITO. Isso significa que parte do intestino do Eli havia nascido sem os nervos que sentem e indicam a presença de fezes no intestino, então as fezes ficam paradas sem a possibilidade de serem expelidas caudando infecção e deixando a criança muito doente. Se não tratada logo alguns casos podem ser fatais. Aqui na Irlanda nós viemos a saber que é raro um bebê de apenas 2 dias ser diagnosticado com esta doença, pois muitos casos são tratados como uma constipação crônica e são detectados quando a criança já está muito doente e é mais velha.
A solução para este diagnóstico veio no dia seguinte.
Aos 3 dias de vida nosso pequeno Eli teria que ser operado.
Os médicos trariam uma parte do intestino que ficaria exposto na barriguinha, aqui eles chamam de STOMA, as fezes seriam coletadas em uma bolsinha de colostomia e teriamos que esvazia-la quando necessário e trocar a cada 3 dias. Mais tarde, com 4 ou 5 meses, ele passaria por uma segunda operação e a parte doente do intestino seria colocada de lado, a parte saudável seria extendida até o reto e conectada novamente, assim ele poderia usar o bumbum normalmente.
Eli recebendo um chameguinho da vovó

Os três mosqueteiros cansados e esperando nosso Eli sair do centro cirurgico.
Enquanto eu estava no quarto da maternidade meu marido levou o nosso primeiro filhinho para o centro cirúrgico. A enfermeira que o pegou no colo disse para meu marido: " Você quer dizer ADEUS para seu filho?"
Acho que ela não havia notado quão difíceis estas palavras soam para um pai cansado e que esta levando um bebê de 3 anos para uma cirurgia. Meu marido saiu do centro cirúrgico e correu para um jardim reservado do hospital e chorou...ele diz que foi a primeira vez que lhe ocorreu a possibilidade de não ver o Eli vivo novamente, afinal ele só tinha 3 dias de vida e qualquer coisa poderia dar errado.
Então ficamos na maternidade, meu esposo, minha mãe e eu...esperando que o nosso menininho retornasse.

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